O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) ao vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. Com 99,99% dos votos apurados, o petista tinha 51,79%, contra 48,21% do adversário. Será o quarto mandato de Lula na Presidência, com permanência no Palácio do Planalto até dezembro de 2030.
O resultado inverte o quadro do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio ficou na frente, com 56,1 milhões de votos (47,03%), contra 53,9 milhões (45,16%) de Lula, uma diferença de cerca de 2,2 milhões. A virada também rompe um padrão desde a redemocratização: até 2026, todo candidato que terminava o primeiro turno em primeiro lugar confirmava a liderança no segundo.
Após a confirmação da derrota, Flávio Bolsonaro disse ser "impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto que as coisas aconteceram" e anunciou que pedirá a anulação do pleito. Segundo ele, nunca saberá quantos votos poderia ter obtido em um estado onde as urnas não foram reabertas.
A Febraban cumprimentou Lula e o vice, Geraldo Alckmin, e colocou sua capacidade técnica à disposição do presidente eleito e da equipe econômica em temas bancários. O Paraguai também saudou o povo brasileiro e destacou a agenda comum de integração e desenvolvimento entre os dois países.
O mercado reagiu negativamente à notícia. O real recuou 10% frente ao dólar no mercado futuro, e um ETF de ações brasileiras negociado em Tóquio caiu quase 13%.
Prorrogação da votação
O dia de votação foi marcado por uma decisão sem precedentes. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), sorteado relator após pedidos das campanhas de Lula e de Flávio, prorrogou por duas horas, das 17h para as 19h (horário de Brasília), o recebimento de votos. Na decisão, ele citou a gravidade dos fatos narrados, que chegaram ao STF às 16h32, e a urgência da medida. A ação da campanha de Lula apontava restrições no transporte coletivo em várias cidades.
Zanin esclareceu depois que a ordem valia apenas para as seções cujas urnas ainda não haviam sido fechadas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pausou a totalização dos votos, que já havia começado, e só a retomou após o encerramento do pleito. Em Salvador, alguns locais de votação chegaram a reabrir os portões, enquanto em outros a votação já estava encerrada.
O Ministério Público Eleitoral se posicionou contra a prorrogação. Para o órgão, apesar da gravidade das notícias, o horário fixado em lei deveria ser mantido, sem prejuízo da apuração e da responsabilização dos envolvidos, inclusive por eventual abuso de poder.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, levou mais de duas horas para analisar o pedido da coligação de Lula e, ao se manifestar, não decidiu: determinou que os Tribunais Regionais Eleitorais enviassem informações até o fim do horário de votação. Diante da demora, o PT recorreu ao STF.
O especialista em direito eleitoral Vitor Goulart Nery afirmou que prorrogar apenas as urnas ainda abertas foi o caminho correto, já que equipamentos que emitiram o Boletim de Urna não podem registrar novos votos. Ele ponderou, contudo, que as decisões podem gerar questionamentos e abrir espaço para contestações judiciais pelas duas campanhas.
Na Bahia, a Federação PSOL-Rede e o deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) acionaram o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) para pedir a prisão em flagrante do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e reforçaram o pedido de prisão do secretário de Mobilidade, Paulo Souza, ou de seu substituto. Em São Paulo, a Justiça Eleitoral intimou a prefeitura a prestar informações imediatas sobre denúncia de redução da frota de ônibus.
Voto no exterior
Em uma das parciais, Lula somava 141.263 votos (59,66% dos válidos) entre brasileiros no exterior, contra 95.499 (40,34%) de Flávio, em 54 países e territórios. Segundo dados compilados pela Probitas com base nos boletins do TSE, Flávio liderava nos Estados Unidos, com 65,7% após 314 das 358 seções apuradas, e no Paraguai, com 86,6%. Lula vencia na Argentina, com 68,9% em 18 das 20 seções, e no Chile, com 53,8% nas cinco seções.
Governos estaduais
As urnas também definiram governadores. Cadu de Lula foi eleito no Rio Grande do Norte e manteve o PT no comando do estado. Lorenzo Pazolini (Republicanos) venceu no Espírito Santo, após disputa que se estreitou nos últimos dias. Omar Aziz (PSD) foi eleito no Amazonas e volta ao comando do estado depois de mais de uma década afastado do Executivo. Mailza Assis (PP) foi reeleita no Acre, e Celina Leão (PP), no Distrito Federal. No Tocantins, o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) foi eleito após reverter o quadro do início do segundo turno, quando a Professora Dorinha (União Brasil) liderava.
Fonte: InfoMoney