O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o governo Lula já procurou o partido depois do resultado do segundo turno e que a relação entre as duas partes pode ficar “mais profunda” no quarto mandato do petista. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Globo, publicada neste sábado (31), e repercutida pelo Estadão Conteúdo e pelo Bahia Notícias.
Kassab, porém, colocou uma condição clara para a aproximação: mudanças na condução da economia. Segundo ele, o PSD estará mais perto do Palácio do Planalto se o governo sinalizar abertura ao centro e adotar medidas que tragam equilíbrio fiscal e tranquilizem o mercado. “Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos”, disse.
Nomes de mercado na economia
De acordo com o relato do Estadão Conteúdo, Kassab defendeu que Lula mantenha os compromissos sociais, mas entregue a área econômica a nomes com perfil de ajuste fiscal, citando como exemplos os ex-ministros Henrique Meirelles e Antonio Palocci. A fala ocorre numa semana de forte tensão no mercado: a Bolsa teve sua pior semana desde 2020 após a eleição.
No mandato atual, o PSD comandou três ministérios sem integrar formalmente a base governista. O partido ainda não decidiu se fará parte oficialmente do próximo governo. Kassab disse que ocupar uma pasta não está em seus planos, lembrando que já chefiou dois ministérios, mas não descartou a possibilidade.
Críticas à campanha de Flávio
Na entrevista, o dirigente também analisou a derrota de Flávio Bolsonaro (PL). Para Kassab, a escolha do senador como candidato da direita “dividiu o centro com o Lula” e afastou eleitores moderados. Ele citou as declarações de Flávio sobre mudanças na Constituição, a postura nos debates e a atuação de apoiadores nas redes, além de afirmar que a campanha petista explorou o temor de uma volta do bolsonarismo.
O PSD teve candidato próprio na disputa: o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, que terminou em quinto lugar. Segundo Kassab, Caiado não conseguiu atrair o eleitor que rejeitava tanto Lula quanto Flávio. O presidente do partido avaliou ainda que a polarização no país “ainda não foi quebrada”.
Fontes: entrevista de Gilberto Kassab ao jornal O Globo (31/10), via Estadão Conteúdo/InfoMoney e Bahia Notícias. Imagem ilustrativa gerada por IA.
