O mercado financeiro reagiu com força à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta segunda-feira (26). O dólar abriu em alta de 8,64%, cotado a R$ 5,42, e minutos depois chegou a R$ 5,60, com valorização de 12,25% sobre o fechamento de sexta-feira (23), quando a moeda americana terminou o dia a R$ 4,99.
Na Bolsa, o Ibovespa despencou cerca de 17% logo após a abertura, para a casa dos 170 mil pontos. Na sexta, o principal índice da B3 havia fechado em 205.082 pontos. Segundo o InfoMoney, a B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações em quedas bruscas, pela primeira vez desde março de 2020. A bolsa também ampliou de 6% para 12% o limite de oscilação dos contratos futuros de dólar no pregão de hoje.
Por que o mercado reagiu
Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). Parte dos investidores apostava na vitória do candidato do PL, e o resultado provocou um desmonte de posições compradas em ações e vendidas em dólar.
A principal preocupação apontada por analistas é a situação das contas públicas e a capacidade de conciliar as promessas de campanha com o controle da dívida. Para Thomas Haugaard, da Janus Henderson, a atenção do mercado passa rapidamente da eleição para a equipe econômica e o plano fiscal. Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, avalia que o problema não é o resultado em si, mas a incerteza sobre a condução das finanças do país.
William Jackson, da Capital Economics, afirmou que a vitória de Lula frustra as expectativas de reformas fiscais e torna menos prováveis novos cortes de juros nas próximas reuniões do Banco Central. O JP Morgan rebaixou a recomendação para o real e para os títulos públicos brasileiros.
Bancos caem, exportadoras sobem
As maiores quedas da manhã ficaram com ações de bancos e do varejo. Banco do Brasil, Bradesco e BTG Pactual recuavam mais de 25%, e Magazine Luiza chegou a perder mais da metade do valor. Petrobras caía mais de 12%.
Na direção contrária, empresas exportadoras, que se beneficiam do dólar mais caro, operavam em alta. Suzano, Embraer, Vale e WEG estavam entre os destaques positivos.
Tesouro age para conter juros
Para reduzir a pressão sobre os juros futuros, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para a semana e recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em títulos. Analistas da Ágora Investimentos não descartam uma atuação do Banco Central no câmbio, mas ressaltam que a duração do movimento dependerá das sinalizações da equipe econômica.
Flávio Bolsonaro ainda não reconheceu a derrota e afirmou que vai recorrer à Justiça Eleitoral.
Com informações do UOL, InfoMoney, Reuters e Money Times. Os valores refletem as cotações da manhã desta segunda-feira e podem ter mudado ao longo do pregão. Imagem ilustrativa gerada por IA.
