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Especialista do Hospital Universitário explica novos critérios para doação de sangue

Edenevaldo Alvessetembro 4, 20262 min de leitura

A partir de 30 de setembro, passa a valer em todo o país uma nova portaria do Ministério da Saúde (GM/MS nº 11.685, de julho de 2026), com novos critérios para doação de sangue. O objetivo é ampliar o número de doadores aptos, sem afetar a qualidade e a segurança dos processos de coleta. Nathália Coelho, enfermeira da Unidade de Hemoterapia do Hospital Universitário da Universidade do Vale do São Francisco (HU-Univasf/HU Brasil), fala sobre essas modificações e a expectativa de impacto no hospital.

Entre as mudanças estão os novos prazos para doação após a realização de micropigmentação, tatuagem ou piercing. A pessoa não precisa mais aguardar de seis a 12 meses para doar sangue. Os novos critérios estabelecem prazo de sete dias, desde que o local do procedimento tenha licença da vigilância sanitária. “Teremos maior possibilidade de doação devido a essa diminuição considerável dos tempos de inaptidão. A expectativa é que consigamos ter um maior incremento no número de doações, o que afeta positivamente nossa assistência hospitalar”, destaca Nathália.

Outro ponto a considerar diz respeito ao limite de idade para doadores regulares, que podem seguir doando sangue após os 70 anos de idade. “Isso é importante, pois nossa população está envelhecendo mais e melhor”, acrescenta a especialista.

Pelo seu perfil de atendimento, o HU-Univasf/HU Brasil utiliza, mensalmente, uma média de 250 bolsas de sangue, e esse quantitativo chega a atingir 300 unidades. “Nosso maior uso é nos casos de politraumas, acidentes graves de trânsito, agressão física por arma branca ou de fogo, mas temos também algumas causas clínicas, como doença renal crônica e aneurismas cerebrais ou de aorta”, acrescenta.

Nathália Coelho reforça que a doação de sangue no Brasil é uma opção de cada pessoa, baseada na solidariedade, e que a atualização da normativa deverá mobilizar mais pessoas para se tornarem doadoras. “Apesar dos avanços da ciência, não existe nenhum produto industrial que possa substituir o sangue. Isso reforça a necessidade de conscientização, pois doar sangue é um ato que pode ajudar alguém em um tratamento e determinar seu bem-estar ou, melhor, sua vida”, finaliza a especialista.

(Foto ilustrativa: Miva Filho SecomPE)