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Em novo áudio, Vorcaro relata reação de auxiliar da PGR ao ouvir acusações sobre Lula; PGR e PF contestam

Redaçãooutubro 10, 20264 min de leitura
Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, em registro da Polícia Penal

Um novo áudio atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, traz o relato de como um integrante da Procuradoria-Geral da República (PGR) teria reagido ao ouvir, dos advogados dele, acusações envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Instituto Lula. A gravação foi publicada pela revista Veja na sexta-feira (9).

A autenticidade do material não foi confirmada por autoridades nem pela defesa do ex-banqueiro. PGR e Polícia Federal (PF) contestam pontos centrais do relato.

O que diz a gravação

No áudio, a voz atribuída a Vorcaro conta que, na primeira vez em que seus advogados levaram a proposta de delação premiada à PGR, um auxiliar do procurador-geral Paulo Gonet, identificado apenas como Ubiratan, reagiu com descrença às menções ao Instituto Lula e a Paulo Okamotto, que dirige a entidade. “Pelo amor de Deus, cê não tem nada disso aqui não”, teria dito o investigador, segundo o relato.

Ainda de acordo com a gravação, os investigadores teriam argumentado que, como os supostos pagamentos foram feitos em dinheiro vivo, não haveria como comprová-los, e que o caminho seria retirar o assunto da proposta. A Veja afirma que recebeu o material de pessoas próximas ao ex-banqueiro, cujas identidades preserva.

O trecho faz parte do conjunto de áudios e documentos em que Vorcaro afirma ter destinado cerca de R$ 30 milhões em espécie a um documentário sobre Lula em troca de negócios no governo, versão negada pelos citados.

O que dizem PGR e PF

  • PGR: em nota, informou que não houve depoimento oral de Vorcaro nas negociações e que “não houve interlocução direta de Vorcaro com qualquer representante da PGR”. Segundo o órgão, as tratativas foram sempre conduzidas por advogados contratados pelo investigado, as propostas foram recebidas sem juízo ou recusa prévia e a colaboração acabou rejeitada, com os motivos expostos à defesa. O procedimento corre sob sigilo, e a PGR não confirmou o diálogo descrito no áudio.
  • Polícia Federal: afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado nem entregou anexos, documentos ou informações sobre o tema. As propostas de colaboração, segundo a corporação, foram recusadas por não atenderem aos requisitos legais. A PF informou ainda ter recebido uma notícia-crime sobre o caso, encaminhada à área técnica.

Defesa e campanha de Lula

O advogado Daniel Bialski, que defende Vorcaro, disse ao ICL Notícias desconhecer a gravação e o conteúdo da acusação. Ele afirmou que o cliente não prestou novo depoimento e que o local onde o ex-banqueiro está preso não permite aparelhos eletrônicos. Em nota, a defesa declarou não reconhecer a origem, a autenticidade e a integridade do material divulgado e disse que Vorcaro segue à disposição das autoridades.

A campanha de Lula questiona a autenticidade do áudio e pediu à PF que investigue a origem da gravação e faça perícia no arquivo. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou as acusações como politicamente motivadas e cobrou provas.

Segundo o Estadão, investigadores suspeitam que a gravação tenha sido feita nas últimas semanas, com Vorcaro já preso em Brasília, o que seria ilegal. A hipótese não está confirmada, e não se sabe publicamente quem gravou o áudio, quando e em que circunstâncias.

Contexto

As tentativas de delação de Vorcaro foram rejeitadas pela PF e pela PGR. O material veio a público a pouco mais de duas semanas do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Com informações de Veja, ICL Notícias e Estadão Conteúdo. Imagem: Polícia Penal/Divulgação.