O governo Lula já comprometeu cerca de R$ 4,49 bilhões com publicidade desde 2023, segundo levantamento do O Bahia Post com dados do Siga Brasil, sistema do Senado Federal que reúne informações do Siafi e de outras bases orçamentárias. O valor exato apurado é de R$ 4.494.378.621,62 em empenhos do Executivo federal entre janeiro de 2023 e 18 de junho de 2026, corrigido pelo IPCA.
O levantamento considera as despesas classificadas como “Outros Serviços de Terceiros — Pessoa Jurídica” nos subelementos Serviços de Publicidade Institucional, Serviços de Publicidade de Utilidade Pública e Patrocínios.
Gasto cresceu 49% em 2025
Ano a ano, os empenhos somaram cerca de R$ 1,02 bilhão em 2023, primeiro ano do mandato, e R$ 1,08 bilhão em 2024. Em 2025, o valor saltou para aproximadamente R$ 1,61 bilhão, alta de cerca de 49% sobre o ano anterior. De janeiro a 18 de junho de 2026, já eram R$ 785,7 milhões comprometidos.
Em 2026, cerca de R$ 492,7 milhões aparecem como efetivamente pagos, segundo consulta atualizada em 11 de outubro. O recorte não inclui Legislativo, Judiciário, Ministério Público, TCU e DPU, e pode não abranger restos a pagar de anos anteriores.
PL acionou o TSE por suposto estouro do teto
Em junho, o Partido Liberal (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral contra o presidente Lula e o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira. O partido alegou que o governo teria ultrapassado o limite de gastos com publicidade institucional no primeiro semestre do ano eleitoral e pediu a suspensão de novos empenhos.
A legislação eleitoral limita esses empenhos, no primeiro semestre do ano da eleição, a seis vezes a média mensal dos valores empenhados e não cancelados nos três anos anteriores. Pelo cálculo do PL, o teto seria de cerca de R$ 618,1 milhões. Os R$ 785,7 milhões registrados até 18 de junho representariam R$ 167,6 milhões a mais, ou 27,1% acima do limite.
Em agosto, o ministro André Mendonça determinou que o governo apresentasse informações detalhadas sobre as despesas de 2023 ao primeiro semestre de 2026 e preservasse os registros dos sistemas de controle. A decisão não concluiu que o teto foi ultrapassado.
Empenho não é pagamento
A própria reportagem faz ressalvas: empenhos não equivalem a dinheiro efetivamente pago e podem ser cancelados ou alterados. O montante também não se concentra na Secom nem corresponde a pagamentos exclusivos a influenciadores digitais. Como as agências de publicidade distribuem os recursos entre veículos, plataformas e produtoras, os destinatários finais podem não aparecer nos registros públicos.
O veículo afirma ter recebido denúncias sobre pagamentos a perfis nas redes sociais que passaram a publicar conteúdo favorável ao governo, mas diz que ainda não confirmou esses pagamentos com documentos. Os próximos passos anunciados incluem identificar agências, fornecedores, planos de mídia aprovados e eventuais pagamentos a produtores de conteúdo.
Fonte: O Bahia Post, com dados do Siga Brasil (Senado Federal). Imagem ilustrativa gerada por IA.
