A França voltou a registrar confrontos e prisões em mais um dia de protestos de estudantes contra o governo do presidente Emmanuel Macron. Segundo balanço provisório do Ministério do Interior francês, ao menos 296 pessoas foram detidas em todo o país até as 18h (horário local) deste sábado (31), e agentes de segurança ficaram feridos — em Paris, três deles foram atingidos por coquetéis molotov, de acordo com a imprensa francesa.
Apesar da violência, a adesão foi menor do que na semana anterior. No sábado (24), cerca de mil pessoas já estavam detidas no início da noite, e o fim de semana passado terminou com aproximadamente 2,4 mil prisões, segundo a Gazeta do Povo, que publicou o balanço com informações da agência EFE. Para este fim de semana, o governo mobilizou cerca de 70 mil agentes de segurança.
Como começou a crise
O movimento nasceu em 17 de setembro, com o bloqueio de um liceu (escola de ensino médio) na região de Paris, e se espalhou para outras escolas e universidades. Em outubro, houve incêndios em escolas, ataques a policiais, depredações e saques às margens das manifestações. As entidades estudantis — entre elas a Unef, a Union Étudiante e a União Sindical Liceal (USL) — apresentaram uma pauta de dez medidas avaliada em cerca de 10 bilhões de euros, que inclui o fim da seleção para a universidade e a criação de 250 mil vagas no ensino superior.
O governo acusa a esquerda radical de insuflar a violência. Em 26 de outubro, o ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou um pacote de respostas: mudanças no Parcoursup, a plataforma de acesso ao ensino superior, a partir de 2027 e sua substituição em 2028; 15 mil novas vagas, sobretudo em cursos técnicos; um plano de 5 bilhões de euros para reformar escolas e universidades; e limite de 28 alunos por turma no primeiro ano do ensino médio, começando pelas escolas mais vulneráveis.
Novos bloqueios nesta semana
As entidades consideraram os anúncios insuficientes e convocaram novos bloqueios a partir de terça-feira (3), além de uma greve nacional da educação na quinta-feira (5). A opinião pública, porém, dá sinais de cansaço: pesquisa Odoxa-Backbone Consulting para o jornal Le Figaro indica que 64% dos franceses querem o fim das mobilizações estudantis.
Fontes: Gazeta do Povo (31/10), com informações da EFE e do Ministério do Interior da França; CNews e agência AFP. Imagem ilustrativa gerada por IA.
