As dívidas das famílias brasileiras chegaram ao maior patamar já registrado pelo Banco Central. Segundo dados divulgados pela autoridade monetária nesta quinta-feira (29), o endividamento das famílias atingiu 50,1% da renda acumulada em 12 meses em agosto, alta de 0,2 ponto percentual sobre julho e de 1,2 ponto em relação ao mesmo mês do ano passado. O número foi destacado pela Gazeta do Povo e pela Times Brasil/CNBC.
Também bateu recorde o chamado comprometimento de renda — a fatia do salário que vai, todo mês, para pagar parcelas e juros. O indicador subiu para 29,0%, o nível mais alto da série histórica. Sem contar o crédito imobiliário, o comprometimento ficou em 26,7%, igualmente o maior já medido.
Juros altos e calote em alta
O peso das dívidas cresce num cenário de crédito caro. Em setembro, a taxa média do crédito livre para pessoas físicas chegou a 62,4% ao ano, e a inadimplência das famílias ficou em 6,0%, 1,1 ponto acima de um ano antes. No crédito livre a pessoas físicas, o atraso acima de 90 dias alcançou 8,1%. A Selic está em 13,75% ao ano, depois de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto, e o Comitê de Política Monetária (Copom) volta a se reunir na próxima semana.
De acordo com a Times Brasil, o Banco Central prepara novas medidas para conter a concessão predatória de crédito. O estoque total de empréstimos no país somou R$ 7,4 trilhões em setembro, dos quais R$ 4,7 trilhões estão com as famílias.
Desenrola não segurou a alta
Os recordes vêm mesmo após duas edições do Desenrola, programa de renegociação de dívidas com garantia do Tesouro lançado pelo governo Lula. Reeleito no último domingo (25), o presidente prometeu durante a campanha um leilão para que a União compre dívidas de consumidores com desconto — proposta que ainda não teve detalhes apresentados.
Com quase um terço da renda já reservado para pagar dívidas, sobra menos dinheiro para o consumo — e cada nova decisão do Copom sobre os juros passa a pesar diretamente no orçamento de milhões de famílias.
Fontes: Banco Central do Brasil (Estatísticas Monetárias e de Crédito), Gazeta do Povo e Times Brasil/CNBC. Imagem ilustrativa gerada por IA.
