A BYD vai colocar em operação três novas fábricas em seu complexo de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, para produzir na Bahia uma fatia maior dos carros que hoje monta a partir de kits vindos da China. Segundo apuração do Poder360 reproduzida pelo Bahia Notícias nesta segunda-feira (2), os testes de produção nas etapas de estamparia, soldagem e pintura começam em novembro, e a meta da montadora é superar 50% de conteúdo nacional a partir de janeiro de 2027.
Inaugurado em outubro de 2025, o complexo começou no regime SKD, em que o veículo chega parcialmente desmontado e recebe no Brasil apenas a fase final. De acordo com a AutoData, há cerca de um mês a operação passou ao CKD, com kits que exigem mais montagem local. Com as novas unidades, a carroceria passa a ser estampada, soldada e pintada em Camaçari.
Em que pé estão as obras
Em comunicado de 26 de outubro, a BYD informou que as obras civis dos galpões de soldagem e pintura terminaram e que as duas áreas estão em testes operacionais avançados. O prédio da estamparia ainda está em construção, em estágio avançado; a AutoData, que visitou o complexo, projeta os testes dessa etapa para novembro ou dezembro. A publicação aponta a picape híbrida Mako como o primeiro veículo a ser totalmente produzido na Bahia.
A capacidade atual é de 150 mil carros por ano, com previsão de chegar a 300 mil. No longo prazo, a projeção atribuída ao fundador e CEO global da BYD, Wang Chuanfu, é de 600 mil unidades anuais. Saem de Camaçari os modelos Dolphin Mini, King, Song Pro e Atto 2.
Empregos, Mercosul e tecnologia chinesa
A empresa fala em cerca de 9 mil trabalhadores diretos, 90% deles baianos, e em chegar a pelo menos 10 mil até o fim do ano. Já o levantamento do Observatório da Indústria citado pelo Poder360 registra mais de 9,5 mil vagas diretas e coloca a BYD como a segunda maior empregadora industrial da Bahia.
A nacionalização também abre caminho para exportar ao Mercosul, em especial à Argentina, que exige conteúdo regional e aplica tarifas de até 35%. Parte dos componentes, porém, seguirá vindo da China, por causa das restrições do país à transferência de tecnologia. Segundo o Poder360, o vice-presidente da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, pediu ao presidente Lula acordos que permitam essa transferência, tratou o tema como decisão diplomática, e não empresarial, e lembrou as reservas de lítio da América do Sul.
O investimento inicial informado é de R$ 5,5 bilhões, em uma área de 4,65 milhões de metros quadrados onde funcionava a fábrica da Ford, fechada em 2021.
Imagem ilustrativa gerada por IA. Com informações de Poder360, Bahia Notícias, BYD e AutoData.
