O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que o país vai parar de pagar, no fim deste ano, os cerca de US$ 4 bilhões anuais de ajuda militar a Israel. A declaração foi dada por telefone ao programa Fox & Friends, da Fox News, no dia em que os americanos votam nas eleições de meio de mandato, segundo a Revista Oeste, o Times of Israel e a Euronews.
Trump disse que fechou o acerto com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu há meses e que a ideia partiu do próprio premiê. “Eles não precisam disso”, declarou, ao descrever Israel como um país bem-sucedido. Ele acrescentou que, se os israelenses precisassem do dinheiro, mandaria continuar. Segundo a Euronews, o presidente afirmou ainda que os EUA seguirão vendendo armas ao aliado.
O que diz o acordo em vigor
O anúncio esbarra no compromisso atual. O memorando de dez anos assinado em 2016, no governo Barack Obama, prevê US$ 38 bilhões, cerca de US$ 3,8 bilhões por ano, e vale até 2028. Por isso, a agência JTA afirma que não está claro como os repasses poderiam acabar já em 2026. A ABC News registra que Trump não especificou quais formas de ajuda serão encerradas nem como isso será feito, e a Al Jazeera informa que o Departamento de Estado não respondeu ao pedido de comentário.
Há também o papel do Congresso: segundo a Revista Oeste, a liberação do dinheiro depende da aprovação anual do orçamento pela Câmara e pelo Senado. Em julho, conforme a Al Jazeera, a Câmara rejeitou por 314 votos a 104 uma emenda do deputado republicano Thomas Massie que cortaria a ajuda a Israel.
Surpresa em Israel e peso na eleição
Em Israel, funcionários dos ministérios das Finanças e da Defesa se disseram surpresos, de acordo com o Times of Israel, que reproduz relatos do site Walla e da emissora Kan. “Nenhum documento formal foi enviado pelo gabinete do primeiro-ministro”, disse uma fonte das Finanças. O gabinete de Netanyahu não comentou de imediato. Na oposição, Gadi Eisenkot chamou de perigoso que a área de defesa tenha sabido da mudança pela imprensa, e Yair Golan afirmou que um premiê responsável lutaria para aumentar a ajuda. Netanyahu já defendeu publicamente reduzir os repasses a zero, mas em um prazo de cerca de dez anos.
O próprio Trump ligou a decisão à campanha. Ele citou o democrata Abdul El-Sayed, candidato ao Senado por Michigan e crítico de Israel, que disputa a vaga com o republicano Mike Rogers, e disse que a ajuda virou munição contra os republicanos. Uma pesquisa Quinnipiac de junho, citada pelo Times of Israel, mostrou que 48% dos eleitores e 66% dos democratas acham que os EUA apoiam Israel demais.
Imagem ilustrativa gerada por IA.
