O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) que entregou R$ 20 milhões em dinheiro vivo ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), para abastecer campanhas eleitorais em Minas Gerais nas eleições municipais de 2024. Segundo o relato, os valores não foram declarados à Justiça Eleitoral, o que configuraria caixa dois.
A informação foi revelada nesta quarta-feira (28) pelo jornalista Thiago Herdy, em sua coluna no Metrópoles. As declarações fazem parte de mais uma tentativa de Vorcaro de fechar um acordo de colaboração premiada com os investigadores.
Como o dinheiro teria sido entregue
De acordo com a versão do ex-banqueiro, o montante foi repassado em parcelas, nas semanas que antecederam o pleito, e teria sido usado em campanhas de candidatos a prefeito apoiados pelo PSD em Minas Gerais — estado em que Silveira é apontado como principal articulador político do partido.
Vorcaro indicou o cunhado, o pastor Fabiano Zettel, como a pessoa que providenciou os recursos em espécie. Para sustentar a versão, entregou aos investigadores trocas de mensagens com Zettel sobre saques de dinheiro, incluindo uma conversa em que o cunhado pergunta se o valor deveria seguir para Belo Horizonte ou para outro destino. O ex-banqueiro disse que o objetivo era manter uma boa relação com o ministro e afirmou não ter recebido favores diretos em troca.
Zettel foi preso pela PF em janeiro de 2026, quando se preparava para embarcar para os Emirados Árabes Unidos. Ele foi solto e voltou a ser preso em março, suspeito de fazer pagamentos e de intermediar ações de um grupo que, segundo a PF, era usado para intimidar jornalistas e concorrentes do Banco Master.
Acusações somam R$ 40 milhões
A nova acusação se soma a outro suposto repasse de R$ 20 milhões que Vorcaro diz ter feito a Silveira em 2022, quando o ministro disputou uma vaga no Senado por Minas Gerais. Esse primeiro relato havia sido publicado pelo jornal O Globo em junho. Somadas, as duas alegações chegam a R$ 40 milhões.
O que diz o ministro
Alexandre Silveira nega ter recebido recursos de caixa dois de Vorcaro e classificou as acusações como “maledicência”. Sobre a campanha de 2022, afirmou que todas as doações foram legais, declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. O ministro também argumentou que as propostas de delação foram rejeitadas pela PF e pela PGR e, por isso, não teriam conteúdo que justificasse a publicação.
Delação rejeitada três vezes
As três propostas anteriores de colaboração premiada apresentadas por Vorcaro foram recusadas pela PF e pela PGR, que apontaram omissões de fatos já conhecidos pela investigação. O ex-banqueiro está em prisão preventiva desde 4 de março de 2026, quando foi detido na terceira fase da Operação Compliance Zero, e permanece na unidade conhecida como Papudinha, no complexo da Papuda, em Brasília.
Os supostos pagamentos não foram comprovados judicialmente. As declarações de Vorcaro são acusações apresentadas aos investigadores e não representam conclusão de que o ministro tenha recebido recursos ilegais.
Com informações do Metrópoles (coluna de Thiago Herdy, publicada em 28 de outubro de 2026).
